O BlogBESSS...

Bem-Vindos!


Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


Colabore nos Projetos "Autor do Mês..." (Para saber como colaborar deverá ler a mensagem de 20 de fevereiro de 2009) e "Leituras Soltas..."
(Leia a mensagem de 10 de abril de 2009).


Não se esqueça, ainda, de ler as regras de utilização do
BlogBESSS e as indicações de "Como Comentar.." nas mensagens de 10 de fevereiro de 2009.


A Biblioteca Escolar da ESSS


PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Semelhanças e diferenças entre as cantigas de amigo e as cantigas de amor

As cantigas de amigo e as de amor são dois dos três géneros da tradição poética medieval galego-portuguesa e as suas versões escritas datam de entre os séculos XII e XIV. As primeiras surgiram no Condado da Galiza e no Condado Portucalence e as segundas surgiram na tradição poética da Provença, sul de França.
Nas cantigas de amigo o sujeito poético é uma donzela de origem popular e de natureza espontânea, que fala dos incidentes da sua relação amorosa tendo como objeto amado o seu «amigo». A donzela vive num meio rural; o cenário é a natureza, que pode ter, para além da função de cenário, a função de confidente da donzela, como na composição “Ai flores, ai flores do verde pino”, ou uma função simbólica, podendo representar o tumulto interior da rapariga, como acontece na cantiga “Sedia-m’eu na ermida de Sam Simiom”, em que o mar encapelado representa o seu estado de perturbação e ansiedade, ou, tal como no caso da cantiga “Digades, filha, mha filha velida”, representa o seu amigo (o “cervo”).
Nas cantigas de amor o sujeito poético é um homem que se dirige a uma “senhor” idealizada e perfeita, exprimindo sentimentos que são a transposição amorosa da estrutura social da Idade Média do vassalo e do seu suserano. 
O tema principal em ambos estes géneros é o amor não correspondido. Nas cantigas de amigo é comum haver uma ausência do amigo, como é o caso da cantiga “Ai flores, ai flores do verde pino”, ou haver uma falência da relação amorosa, como é o caso da cantiga “Levad’, amigo, que dormides as manhanas frias”. O tormento dominante pode, contudo, contrastar com a alegria da donzela no encontro com o amigo em algumas composições como na cantiga “Bailemos nós já todas três, ai amigas”. Nas cantigas de amor, de acordo com as regras do amor cortês, é característica a inacessibilidade do sujeito poético relativamente à “senhor”, como é o caso da cantiga “A dona que eu am’ e tenho por senhor”.
Assim, os principais temas destas cantigas são a saudade, a angústia, a tristeza e a desilusão.
As cantigas podem ser de refrão ou de mestria (cantigas sem refrão) no que respeita às cantigas de amor; muitas das cantigas de amigo, porém, apresentam paralelismo perfeito, ou quase, como é o caso da cantiga “Ai flores, ai flores do verde pino”, já referida anteriormente. Muitas das cantigas de amor apresentam paralelismo semântico como é o caso da cantiga “Se eu podesse desamar”.
A principal semelhança entre os dois géneros destas cantigas é o facto de umas e outras se referirem ao tormento de amor e a sua principal diferença é o facto de nas cantigas de amor se cultivar um amor cortês em que o amor entre o vassalo e uma “senhor” idealizada – não correspondido –, pois ela pertence a uma classe hierárquica, social e culturalmente superior, mantendo-se, assim, uma relação de vassalagem amorosa. Nas cantigas de amigo há, pelo contrário, um nivelamento social entre a donzela e o amigo.
É esta variedade de situações e tendências que empresta variedade e vivacidade à nossa tradição lírica dos cancioneiros trovadorescos, precioso documento para o conhecimento da realidade social e cultural da época medieval.

Autora: Teresa Abrantes, 10ºA
Prof. João Morais

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O Ponto

Mínimo sou,
Mas quando ao Nada empresto 
A minha elementar realidade, 
O Nada é só o resto.
(Reinaldo Ferreira, Poemas Infernais

sábado, 22 de outubro de 2016

«O Sermão de Santo António [1654]: Um caso de literatura de combate»

O Sermão de Santo António [1654] insere-se na categoria da literatura de combate, sendo um texto religioso no qual o Padre António Vieira recorre à alegoria para criticar os seus ouvintes: os homens. Vieira é um homem dirigido para o mundo e para o combate de ideias, procurando incutir a sua doutrina nos homens e evitar que eles caiam no pecado, isto é, procura evangelizá-los. A alegoria manifesta-se pelo facto de, ao nível textual, os destinatários serem os peixes (l. 86: “dividirei, peixes, o vosso Sermão”), que são uma metáfora usada por Vieira para verbalizar as críticas aos homens ao nível da comunicação na Igreja, sendo estes últimos quem o orador pretende efetivamente evangelizar.
Uma vez que tiveram as mesmas dificuldades em pregar a doutrina cristã entre os homens, Vieira decide tomar S. António como exemplo e vai pregar aos peixes (ll. 57-58: “quero hoje, à imitação de S. António, voltar-me da terra ao mar, e, já que os homens se não aproveitam, pregar aos peixes”). Na confirmação, o orador começa por fazer referência ao facto de os peixes não se deixarem converter (dada a sua natureza irracional), passando, de seguida, à denúncia de, na sociedade em que se insere, os homens terem o mesmo comportameto, dado que não quererem mudar a sua mentalidade (ll. 63-65).
Dentro da confirmação, é estabelecido um contraste entre as virtudes dos peixes e os vícios dos homens. A analogia com S. António permite moralizar os homens, apresentando-o como exemplo e apontando-lhes o caminho que devem seguir. O Quatro-Olhos, por exemplo, tem dois olhos virados para cima e dois para baixo (ll. 353-355), havendo uma relação de analogia com S. António, que consegue distinguir o bem do mal. Este seria o exemplo a seguir, dado que “neste mundo «tudo é vaidade»” (l. 366) e a única solução seria olhar diretamente para o Céu ou para o Inferno, a fim de fugir desse pecado humano.
Já nas repreensões gerais, o orador condena o facto de os peixes se comerem uns aos outros (ll. 401-402), uma metáfora para o fenómeno de antropofagia social, que tem a ver com a dominação e a exploração que os homens exercem uns sobre os outros (ll. 428-429: “ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra”). Também se verifica uma crítica à ignorância e à vaidade, que se manifestam na sociedade humana do tempo de Vieira através daqueles que são enganados a comprar farrapos a preços elevados, e para tal levam uma vida de pobreza (ll. 574-575: “pois em que se vai e despende toda a vida? No triste farrapo com que saem à rua, e para isso se matam todo o ano”).
Finalmente, Vieira indica vários exemplos de peixes que representam vícios dos homens. A título de exemplo, os Roncadores são pequenos mas emitem um som grave (ll. 592-593), o que representa a arrogância e a soberba nos homens; o polvo tem a capacidade de se metamorfosear, simbolizando a hipocrisia e a traição (ll. 775-777). S. António, mais uma vez, é o exemplo a seguir, pois possui as qualidades que os restantes homens deviam ter: é humilde, cândido, defensor da verdade e dado à espiritualidade.

         Em suma, este sermão tem como finalidade promover as virtudes humanas e rever mentalidades através da crítica à condição humana. É, assim, um caso paradigmático de literatura de combate ideológico.

Autora: Oleksandra Sokolan, nº 23, 11ºC
Prof. João Morais

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Exposição "Padre António Vieira: Vida e Obra" na Biblioteca Escolar da ESSS

A Biblioteca Escolar convida a Comunidade a visitar a exposição sobre a Vida e Obra do Padre António Vieira, realizada em articulação com os colegas que lecionam o programa de Português, 11º ano.


Exposição é visitável de 21 de Outubro a 4 de Novembro. 

Observação: A Biblioteca Escolar está aberta, todos os dias, abre às 8h30 e encerra às 16h20.