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Blog ou Blogue, na grafia portuguesa, é uma abreviatura de Weblog. Estes sítios permitem a publicação e a constante atualização de artigos ou "posts", que são, em geral, organizados através de etiquetas (temas) e de forma cronológica inversa.


A possibilidade de os leitores e autores deixarem comentários, de forma sequencial e interativa, corresponde à natureza essencial dos blogues
e por isso, o elemento central do presente projeto da Biblioteca Escolar (BE).


O BlogBESSS é um espaço virtual de informação e de partilha de leituras e ideias. Aberto à comunidade educativa da ESSS e a todos os que pretendam contribuir para a concretização dos objetivos da BE:

1. Promover a leitura e as literacias;

2. Apoiar o desenvolvimento curricular;

3. Valorizar a BE como elemento integrante do Projeto Educativo;

4. Abrir a BE à comunidade local.


De acordo com a sua natureza e integrando os referidos objetivos, o BlogBESSS corresponde a uma proposta de aprendizagem colaborativa e de construção coletiva do Conhecimento, incentivando ao mesmo tempo a utilização/fruição dos recursos existentes na BE.


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PS - Uma leitura interessante sobre a convergência entre as Bibliotecas e os Blogues é o texto de Moreno Albuquerque de Barros - Blogs e Bibliotecários.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Análise do poema “Noite” (in Mensagem)

Trabalho realizado por  Inês Silva Machado, nº 16,  12º A, 2010/11 
Prof. João Morais

A Mensagem, obra poética de Fernando Pessoa, exprime o ideal patriótico, sebastianista e regenerador de uma nação que deve renascer espiritualmente: Portugal. A estrutura tripartida da obra sugere os três momentos do Império Português: o nascimento, o amadurecimento e a morte, e o restante percurso da obra heróica: “Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce” (“Infante”). O Homem tem de intuir a vontade de Deus, que culmina na realização da obra e do Império. No entanto, esta morte não é definitiva e propõe o ressurgimento de uma nação que está em decadência. O poema “Noite” dá luz à terceira parte da obra, “O Encoberto”, e expressa o desejo do renascimento e da reconquista de uma alma e de uma identidade perdidas, e apela à mudança e à acção dos portugueses na construção de um Império futuro, o Quinto Império, que não se inscreve na esfera do terreno (como os Descobrimentos), mas sim naquilo que é espiritual e imaterial.
É, desde logo, pela leitura do título que nos apercebemos da sua configuração simbólica. Existe a expectativa de algo acontecer (“névoa escura”) na medida em que a “Noite” é o tempo cósmico de gestação de alguma coisa apesar de, simultaneamente, também simbolizar o tempo da morte e do mistério. Associada à “Noite”, a “névoa” é uma indefinição de formas, é um impedimento que cria a hipótese de ressurgimento e revelação de novas realidades. A “ânsia” pela reabilitação da pátria leva o sujeito poético a relembrar os heróis que permanecem na memória colectiva e que são exemplos de dignidade e do que permitirá reestabelecer a pátria. Há a alusão aos irmãos Corte-Real, que intervieram na exploração do Canadá, que pertencem a um colectivo que sonhou, procurou e superou surgindo inicialmente como referentes históricos mas adquirindo um valor simbólico e espiritual instituído pela morte física.
Além da estrutura trinitária da Mensagem, que representa os momentos do herói e o percurso da obra heróica, também este poema d’ “Os Tempos” se associa ao número três visto que se encontra dividido em três momentos e se refere a três irmãos, o que confere ao mesmo número um valor simbólico: representa, assim, a perfeição e a totalidade.
O primeiro momento corresponde às duas primeiras estrofes e diz respeito ao passado enquanto tempo da descoberta e da superação refirindo-se, então, aos heróis dos Descobrimentos (“na fé e na lei/ Da descoberta, ir em procura”), aqueles que nunca atingem a satisfação e a felicidade e que se distinguem do animal (“Ser descontente é ser homem” – in “O Quinto Império”). O mar tem uma configuração simbólica na medida em que é o local onde os portugueses superaram os limites representando a conquista humana em relação ao conhecimento. Já a terceira e quarta estrofes representam, após a morte concreta dos heróis, o presente, isto é, a decadência do Império (“Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez”in “O Infante) e a vontade de reabilitação da morte dos dois irmãos, da pátria, concretizada pelo terceiro irmão (“olhos rasos de ânsia/ Fitando a proibida azul distância”). O “Poder” e o “Renome” são a alusão simbólica a dois referentes históricos, os irmãos Corte-Real, que estão aqui desmaterializados para vencer o tempo (natureza do mito). A estrofe final é um apelo a Deus, enquanto entidade abstracta, pelo ressurgimento do Império (“A Deus as mãos alçamos”).
O sujeito poético termina com “Mas Deus não dá licença que partamos”, que estabelece uma relação com o último verso de “Nevoeiro” – e da obra –, “É a Hora!”, determinando, assim, a necessidade de criação de um Império Espiritual e revelando o desejo de um renascimento: está na altura de Portugal se reabilitar enquanto nação, o que se compagina com o louvor a “Deus” (“A Deus as mãos alçamos”).
Quanto à estrutura externa, o primeiro poema d’ “Os Tempos” é caracterizado pela irregularidade métrica e por um ritmo rápido relacionado com a estrutura narrativa do poema, que é realçada pelo recurso a sucessivos transportes. A existência de cinco sextilhas e de cinco poemas em “Os Tempos” confere ao número uma simbologia de ordem, equilíbrio e harmonia, característica desta parte da Mensagem em que o Império desfeito é substituído pelo desejo de um reino imaterial e espiritual onde termina o caos e inicia a ordem. Em suma, a composição apela à acção dos portugueses na construção de uma nova realidade e expressa a ânsia messiânica da criação do Quinto Império.

quarta-feira, 23 de março de 2011

“O lugar da utopia na vida humana”

Trabalho realizado por Henrique Carvalhinhos (12º A)  e Mário Martins (12º I), 2010/11 
Prof. João Morais
O termo utopia foi reactualizado por Thomas More, no Renascimento, ao qual deu o significado de “Sociedade Ideal”, sociedade esta em que todo o ser humano é igual, tanto em termos de direitos como de oportunidades.
Hoje em dia o termo utopia é visto como algo imaginário, e é uma forma muito optimista de encarar o mundo e o homem.
A utopia pode ser encontrada em vários campos, entre eles a religião, a política e a ética. Na religião, podemos encontrá-la no modelo de perfeição (Deus) e também na questão da vida depois da morte, na criação de um local ideal onde alguns passam à eternidade (Paraíso). Mais concretamente, o Cristianismo defende que o homem ganhará o Céu se viver uma vida livre de pecados e se praticar o bem aos olhos de Deus.
A utopia no campo económico é encontrada na divisão de bens equitativa na sociedade como defendem o socialismo e o comunismo. Um exemplo disso é a Revolução de 25 de Abril, quando houve uma desprivatização de quase todos os bancos portugueses, deixando as famílias com maior poder económico do país (como por exemplo os Mello, os Champalimaud, etc) despojadas desses bens, para haver um equilíbrio entre as classes sociais.
No campo ético, podemos evidenciar a busca da Paz como o exemplo mais óbvio. Para garantir uma civilização que viva em paz e harmonia, no século XX foi criada uma organização com esse mesmo fim: a ONU (Organização das Nações Unidas). É responsável por zelar pelos direitos do homem, para que este viva em pleno os seus direitos.
Com isto podemos concluir que, independentemente do domínio em que possamos detectar a sede utópica, fala-se de algo que se avalia como positivo e que zele pelo bem-estar de todos, mesmo que para alguns de nós esses desígnios possam ser somente imaginários ou inalcançáveis.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O Herói da Mensagem e o herói d’Os Lusíadas

Trabalho realizado por Rita André12º B, 2010/11 
Prof. João Morais


Na obra do poeta Luís de Camões, o Herói apresentado na Proposição não é uma personagem mas sim um colectivo, ou seja, é constituído pelos Portugueses Ilustres, a saber, os Navegadores, os Guerreiros, os Reis, entre outros que se imortalizaram com actos heróicos: “E aqueles que por obras valerosas / Se vão da lei da Morte libertando” (Canto I, est.2).
O Herói da obra de Fernando Pessoa é uma personagem (passe a sinédoque) criada pelo poeta, a entidade “nós”, referindo-se a si próprio e aos leitores que se identificam com a sua concepção de um Portugal Espiritual, no qual é captada a essência do país e a sua missão por cumprir. Todas as personagens históricas mencionadas pelo poeta, como D. Dinis, D. Afonso Henriques e D. Sebastião, têm um significado simbólico e emancipam-se da sua configuração histórica para serem transformados em mitos. Por exemplo, D. Sebastião, que morreu na Batalha de Alcácer-Quibir, não morre aos olhos do poeta, que considera que este rei ressurgiu na memória colectiva: “Quem vem viver a verdade / Que morreu D. Sebastião?” (in “O Quinto Império”).
Existem semelhanças entre os heróis dos dois poetas como a presença da fragilidade e do medo, que caracterizam o ser humano, mas também a força para superar as dificuldades e a sua divinização. N’ Os Lusíadas, a debilidade da condição humana está presente nas reflexões do poeta: “Onde pode acolher-se um fraco humano/ Onde terá segura a curta vida.” (Canto I, est. 106), e a superação dos obstáculos que pode ser encontrada no episódio do Gigante Adamastor: “Dizendo nossos Fados, quando, alçado, / Lhe disse eu: «Quem és tu?...»” (Canto V, est.49). No poema “O Monstrego”, na Mensagem, Pessoa cita as mesmas características: o receio inicial que o homem do leme apresenta na presença do monstro e a superação quando enfrenta o seu medo – “Três vezes do leme as mãos ergueu, / Três vezes ao leme as reprendeu, / E disse ao fim de tremer três vezes:”.
Outra semelhança é o desfecho trágico no qual a glória é marcada por sofrimento e lágrimas, como podemos observar pela análise do episódio “Despedidas de Belém” – “A desesperação e frio medo/ De já nos não tornar a ver tão cedo”— e num dos poemas da Mensagem “Mar Português”: “Ó mar salgado, quanto do teu sal/ São lágrimas de Portugal!”.
A mitificação do Herói aproxima as duas obras, cada uma a seu modo: n’Os Lusíadas os navegadores portugueses interagem com as Deusas no amor e num banquete, sendo elevados por Vénus à condição de Deuses. Assim defende a Deusa do Amor: “Os Deuses faz descer ao vil terreno/ E os humanos subir ao Céu sereno” (Canto IX, est.20). Na obra de Pessoa, o Herói não é inserido em quaisquer coordenadas de tempo e espaço, sendo por isso intemporal: “Eras sobre eras se somem/ No tempo que em eras vem” (in “O Quinto Império”), adquirindo uma configuração mítica resultante da concretização divina que o distingue do resto do povo: “Cadáver adiado que procria?” (in “D. Sebastião Rei de Portugal”).
As obras analisadas foram escritas em séculos muito diferentes – Os Lusíadas no séc. XVI e a Mensagem no séc. XIX – que correspondem, efectivamente, a períodos distintos da nossa História, suscitando, deste modo, diferenças ao nível dos objectivos das obras e das características do seu Herói.
O poeta Luís de Camões viveu no Período Renascentista, que colocava o Homem no centro do mundo (antropocentrismo), dando-lhe a possibilidade de escrever o seu próprio destino. Nesta época, em Portugal, vivia-se um período próspero devido à política expansionista dos Descobrimentos, propício à escrita de uma epopeia a louvar as aventuras dos portugueses. O poeta Fernando Pessoa viveu num período conturbado da História, com a queda da Monarquia, o fracasso da República e a instauração da Ditadura do Estado Novo. O país passava por dificuldades financeiras. Dominava uma falta de esperança na renovação de Portugal. Para tentar minimizar estes obstáculos, o poeta escreveu a Mensagem, com o intuito de louvar Portugal e tentar diminuir o sentimento de negativismo que a sociedade vivia. O seu amor pelo país resulta numa posição espiritual, definida pela procura do que não existe, e pela loucura consciente, que lhe permite a realização de grandes feitos.
Enquanto o Herói d’Os Lusíadas é dinâmico, corre inúmeros perigos e ultrapassa grandes aventuras terrenas – “Em perigos e guerras esforçados/ Mais do que prometia a força humana” (Canto I, est.1) –, o Herói da Mensagem é estático, baseando-se na utopia e no indefinido, onde o abstracto prevalece sobre o concreto – “Louco, sim, louco, porque quis grandeza/ Qual a sorte a não dá” (in “D.Sebastião, Rei de Portugal”).
Na obra de Camões é narrado um acontecimento da História de Portugal, a Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, que é concluído com a chegada da frota de Gama a Calecut. Aqui existem marcas de tempo e espaço: esta viagem ocorreu na realidade e o poeta narra os locais por onde passaram os navegantes e as vivências que experimentaram. Na Mensagem estas marcas não se encontram presentes; a obra adquire um valor intemporal. Os elementos descritivos e narrativos são suprimidos, como podemos observar no poema “Horizonte”. O poeta não descreve uma viagem nem um império terreno, muito menos canta a guerra contra os infiéis. O seu Herói concentra a sua atenção num além, numa utopia e valoriza a sua procura em relação à descoberta de algo concreto – “Quando é o Rei? Quando é a Hora?/ Quando virás a ser o Cristo” (in “Screvo meu livro à beira-mágoa”). Assim, na obra de Pessoa tudo tem um carácter mental e conceptual.
Relativamente ao prémio atribuído ao Herói depois do seu esforço, n’Os Lusíadas essa recompensa foi a Ilha dos Amores e as suas ninfas (Canto IX e X), que, num episódio simbólico, conferiram dignidade aos nautas e os elevaram ao estatuto de Deus através do amor físico. Na obra de Pessoa não existe este tipo de reconhecimento: o Herói acaba por perseguir um ideal que se encontra sempre num referencial longínquo como o horizonte: “Buscar na linha fria do horizonte/ A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte /Os beijos merecidos da Verdade”. Logo nunca alcança o prémio, continuando na sua procura incessante.
           Para finalizar, Fernando Pessoa e Luís de Camões foram dois dos maiores poetas portugueses e partilharam ideais como o patriotismo e o desejo de reabilitação do tempo do presente. Sublinhemos, porém, uma diferença marcante: Pessoa era um intelectual que deu mais importância à procura de uma ideia utópica enquanto Camões era um homem de acção que preferiu cantar os feitos bélicos do seu povo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

O herói da Mensagem versus o herói d’Os Lusíadas

Trabalho realizado por Janete Serra, nº 7,  12º B, 2010/11 
Prof. João Morais


Entre a célebre obra de Camões, Os Lusíadas, e a grande obra de Pessoa, Mensagem, existem semelhanças e diferenças. A forma como o herói é apresentado e retratado é uma dessas diferenças.
N’Os Lusíadas o herói inscreve-se num tempo, aquele em que decorre a viagem para chegar à Índia. Pelo contrário, na Mensagem o herói não se inscreve num tempo e num espaço. Enquanto na obra de Camões se fala de algo que aconteceu, na obra de Pessoa os heróis vão-se desmaterializando e são como símbolos que configuram intemporalidade. Na Mensagem as figuras heróicas são emblemáticas de um conjunto de valores que permanecem na memória colectiva do Povo português. Vejamos o texto “Ulisses”, que pertence à primeira parte da obra, “Brasão”:
“Este [Ulisses], que aqui aportou, / Foi por não ser existindo. / Sem existir nos bastou.”
Ou seja, Ulisses é um herói mítico que, apesar de não ter existido, tem uma representação espiritual e simboliza o herói da Antiguidade e, assim, ficou na nossa (leitores e poeta) memória colectiva. Esta memória confere coerência à partilha de valores colectiva.
N’Os Lusíadas o herói inscreve-se, pelo contrário, numa mensagem realizada a partir dos seus grandes feitos e recompensas, que são exaltados pelo poeta de maneira a incentivar o Rei D. Sebastião a manter a imagem heróica que foi lhe é transmitida no Poema, relativamente aos portugueses. Camões vive no tempo do Rei e, assim, ainda tem esperança de que os portugueses se reergam. O poeta retrata o Rei com uma existência física e realça o facto de ele ser superior e honrado por expandir a cristandade:
“E vós (Rei), […] E não menos certíssima esperança / De aumento da pequena Cristandade”.
 (in “Dedicatória”)

Na Mensagem, Pessoa retrata D. Sebastião como um “louco”, mas positivamente. No texto “D. Sebastião rei de Portugal”, o rei fala como se estivesse vivo porque ele, apesar de ter morrido fisicamente, continua presente na memória dos portugueses, pois a sua bravura não será esquecida. O rei é louco porque ambiciona e quer aventura e, por isso, morre:
“Louco, sim, louco, porque quis grandeza.
O poeta especifica que existem duas perspectivas de D. Sebastião, uma passada, D. Sebastião que existiu em carne e osso, e uma do seu tempo, o mito:
“Ficou meu ser que houve, não o que há.”
Assim, D. Sebastião, representado espiritualmente, anuncia possíveis aventuras futuras, novas conquistas, novas terras.
Camões tem uma visão mais antiga do herói: para ele o herói tem de mostrar virilidade e ir em busca de aventura, enquanto a mulher fica em casa. Deste modo, esta visão clássica, Grega, do herói resulta na superação de todos os obstáculos que aparecem no caminho dos portugueses – o Gigante Adamastor, as ciladas de Baco – enquanto na Mensagem apenas na segunda parte, “Mar Português”, podemos considerar a busca de obstáculos e sua superação.
 Em “O Infante” o poeta anseia pela elevação de Portugal:
“Senhor, falta cumprir-se Portugal!”
Enquanto Camões incentiva e espera que Portugal regresse à sua grandeza, Pessoa é mais sombrio e apenas sonha que os portugueses fiquem descontentes com a decadência em que se encontram e não se conformem, o que é realçado na terceira parte da obra, “O Encoberto”:
“Triste de quem vive em casa / Contente com o seu lar.
 (in “O Quinto Império”)

Deste modo, “O Quinto Império” simboliza esse sonho apesar de o Império já se ter cumprido e agora restar apenas um Império futuro que poderá ou não revelar-se.
O “Nevoeiro” simboliza a confusão em que o país se encontra e também a mente que o Povo tem, pois pensa que fomos grandes mas já não o seremos. Assim, este texto representa um fumo, uma sombra que é a cabeça dos portugueses:
“Ó Portugal, hoje és nevoeiro…”
Mas o poeta faz uma chamada de atenção para que esta situação mude e para que o Povo se reafirme:
“É a Hora!”
N’Os Lusíadas não há esta sombra, mas sim a força para que os portugueses superem todas as dificuldades e sejam vencedores, sendo superiores até atingir o nível dos Deuses, tanto que na Ilha dos Amores até as ninfas se apaixonam por eles de tão importantes –também no Amor… – que eles são. Assim, os Portugueses são recompensados por terem lutado por um objectivo e pelo Amor.
Resumindo, na Mensagem todos os heróis formam uma força que o poeta deseja que se reerga no futuro reabilitador da decadência em que Portugal caiu, mas esta expectativa resulta na utopia que nunca será atingida e, por isso, Pessoa apresenta o herói de uma forma sombria e contemplativa. Por oposição a esta negatividade, Camões retrata os Portugueses como heróis activos e grandiosos que se irão destacar outra vez e acredita que vencerão o desconhecido e serão donos do seu próprio destino.

terça-feira, 8 de março de 2011

A Utopia na Condição Humana: Beleza e Juventude Eterna

Trabalho realizado por  Rita André,  12º B, 2010/11 
Prof. João Morais


Uma utopia é um sonho de difícil realização, uma meta que tentamos alcançar. É através de utopias que o mundo evolui e persegue determinados objectivos. O que foi uma utopia no século passado actualmente pode ser vulgar.
Partindo deste pressuposto, com este texto, pretendo reflectir acerca dos conceitos de beleza e juventude que vigoram na sociedade actual, que são adoptados por muitas pessoas numa tentativa de adquirirem o que consideram ser a aparência perfeita.
Devemos analisar o conceito de beleza ao longo da História, pois ele está sempre em mudança. Se, num passado recente, ter uns quilos a mais era sinónimo de beleza e saúde, nos dias de hoje, o ideal de beleza é outro: as mulheres devem ser esbeltas e muito magras. Esta preocupação desmedida com a magreza acarreta consequências como o aparecimento de doenças associadas a uma alimentação desequilibrada, por exemplo a anorexia e a bulimia. Quem lucra com esta obsessão são os autores de dietas para emagrecer que prometem milagres em pouco tempo, a indústria farmacêutica que produz medicamentos para queimar calorias e as clínicas de cirurgia plástica que se proliferam um pouco por toda a parte. Estas passam de um luxo das classes altas que pretendem obter uma melhor imagem e de vítimas de acidentes que necessitavam de reconstruir partes do seu corpo para uma necessidade de muitas pessoas que pretendem atingir um ideal de beleza.
Poderíamos considerar que este género de dilemas apenas afecta as pessoas mais jovens, que são influenciadas pelos meios de comunicação social e pela imagem das modelos que vêm em desfiles de moda, que são um ícone de beleza para muitos.
 Mas não!
As mulheres de meia-idade são extremamente atingidas pela necessidade de terem uma aparência jovem e para isso despendem muito dinheiro em tratamentos como injecções de botox para ficarem com menos rugas e lipoaspirações para retirarem as gorduras que se acumulam com a idade. Algumas mulheres mais frágeis e obcecadas com a beleza mas sem condições para pagar este género de intervenções entram em depressão e podem mesmo tentar o suicídio.
Mas o ideal de beleza não existe apenas para as mulheres, os homens também estão a ficar dependentes e a ter mais cuidados com a sua imagem por exemplo, utilizando cremes de beleza e fazendo depilação.
Esta obsessão que afecta a sociedade actual relacionada com a aparência física tanto de homens como de mulheres deve-se, sobretudo, ao marketing e ao mundo da moda. As pessoas deixaram de se preocupar com as suas vivências interiores e vivem com o objectivo de conseguir a beleza e juventude eternas, mas este objectivo é utópico, pois nenhum ser humano consegue a perfeição absoluta. Este conceito é abstracto, mudando de pessoa para pessoa e de sociedade para sociedade. No entanto, continuamos a lutar pela sua concretização e até produzimos lendas como a “fonte da juventude” a água desta fonte dava a juventude eterna a quem a consumisse. Não seria de admirar de no futuro inventarem uma bebida e de vir a haver muita gente que a comprará na esperança de ter para sempre 20 anos.
Será possivel encontrar solução para esta utopia? Como disse Victor Hugo: “Não há nada como o sonho para criar o futuro. Utopia hoje, carne e osso amanhã”.
Em relação à questão da juventude eterna, existe um enigma que intriga a comunidade científica: o caso da jovem Brooke Greenberg que parou no tempo, ou seja, ela tem 17 anos mas tem as características de uma bebé de um ano. Especialistas em Genética esperam que, comparando o DNA de Brooke com o de uma pessoa normal, possam vir a descobrir os mecanismos que controlam o envelhecimento, encontrando, assim, uma verdadeira fonte de juventude. Será esta criança a chave para a utopia da juventude?
Para a questão da beleza, não é possível afirmar que esta utopia será atingida pois é difícil para nós definir o que é belo. Contudo, aceitar o que somos e vivermos a vida com confiança e sem preocupações fúteis pode ser a resposta para a verdadeira beleza. Uma mulher insegura com um nariz feio vai continuar a ser insegura e a encontrar outros defeitos com um nariz bonito.
Em conclusão, a procura da perfeição física é constante na nossa sociedade actual interferindo com a vida de muitos. Considero que esta afirmação de Josué Montello explica bem o papel da utopia na condição humana: "Pode-se dizer, sem receio de erro, que a utopia é consubstancial à condição humana. Ninguém realiza sem sonhar."

quarta-feira, 2 de março de 2011

O significado da Ilha dos Amores n’ Os Lusíadas

Trabalho realizado por Joana Nunes, nº 11, 12º B, 2010/11
Prof. João Morais

O episódio da Ilha dos Amores, dividido pelos Cantos IX e X d’Os Lusíadas, surge como conclusão da epopeia de Luís de Camões. Vénus, deusa do Amor e da Beleza, auxiliada por Cupido, seu filho, decide recompensar os portugueses pelo seu esforço, bravura, persistência e dedicação na tarefa da superação da humanidade. Assim, prepara-lhes uma ilha onde se encontram ninfas à sua espera. Este merecido prémio representa a glorificação do herói português, a realização de um novo estatuto: a imortalidade enquanto aspiração máxima do ser humano. Pode dizer-se que este é o episódio que desvela todo o significado da epopeia.
            Na Ilha dos Amores os prazeres concedidos aos portugueses inscrevem-se tanto no nível material como no espiritual do Herói. Por um lado, ao nível material temos as recompensas do amor físico e o banquete oferecidos por Tétis e pelas restantes ninfas. Por outro lado, o nível espiritual reporta-se à apresentação que Tétis faz da Máquina do Mundo a Vasco da Gama. Este último momento é de grande importância já que apenas aos deuses era possível a visualização do Universo. A ambição da descoberta de novas terras proporciona aos nautas esta honra, um símbolo de todas as compensações que os Descobrimentos trazem ao Homem.
            Ao contrário dos episódios da Inês de Castro e do Adamastor, este é o episódio da Epopeia e um exemplo raro da obra camoniana em geral em que existe a plenitude amorosa, onde existe o prémio e não o castigo por amor. É através do amor físico que os navegadores interagem com as ninfas imortais, depois das provas que representam o amor pela pátria, a devoção e a superação das dificuldades que os tornam também divinos, provando assim que nada resiste à força do amor.
            Este locus amoenus, paisagem ideal e ambiente de tranquilidade, é o Ideal, não compreendido nas coordenadas do tempo e do espaço, e, portanto, a realização da utopia. É um local de harmonia, com o murmúrio das águas, o cantar dos pássaros, os variados sabores de frutos, o perfume das flores, a suavidade, a frescura, a verdura e a segurança; a Natureza na sua plenitude de singeleza e despojamento. Apenas nesta Ilha se podem esquecer as decepções, o pecado e a insatisfação, sendo assim, um espaço onde a concretização total do amor é possível; onde, após os tormentos, os sacrifícios e o sofrimento, os portugueses podem alcançar um estatuto grandioso.
            Camões coloca neste episódio toda a sua imaginação e, utilizando elementos do Renascentismo e do Humanismo, confere aos portugueses a possibilidade de realização completa, sem as limitações e as contradições impostas pela Natureza. E assim os navegadores conseguem alcançar a imortalidade. Mas isso também se aplica ao poeta que, ao compor esta epopeia e ao dedicá-la ao herói português, dignifica os seus feitos, permanecendo vivo não fisicamente, mas espiritualmente, através desta e de muitas outras obras.

João Filipe Afonso, Nº13